Atualmente sabe-se que os hábitos alimentares são influenciados por inúmeros fatores e o marketing e/ou publicidade digital alimentar apresenta um ponto critico nas crianças. Hoje em dia o marketing não é feito apenas através da televisão, mas também através de outros meios de informação menos regulamentados. Desta forma, a regulamentação deve abranger todos os meios de comunicação, incluindo os digitais.
De acordo com dados da OCDE, em 2012, crianças de 15 anos despendem uma média de quase duas horas (109 minutos) na internet nos dias úteis e mais meia hora nos fins de semana.
Investigadores que estudam sites de marcas de alimentos, verificaram que páginas on-line direcionadas para crianças promovem frequentemente produtos alimentares de baixa qualidade nutricional (ricos em gorduras, açúcar e sal) de forma dinâmica, envolvente e persuasiva. Como por exemplo através da criação de mascotes associadas ao alimento e/ou realçar o que o produto tem de positivo a nível nutricional, que “mascaram” aspetos negativos do mesmo.

A revista Pediatric Obesity, também divulgou um estudo que pretendia verificar qual o impacto que as informações com benefícios nutricionais e/ou com estilos de vida mais saudável, associadas a alimentos considerados nutricionalmente menos interessantes influenciam as crianças. Verificou-se que as crianças consideram esses alimentos como os mais saudáveis.

Este tema é sempre pertinente para todos os pais, professores e profissionais de saúde que lidam diariamente com as crianças, pois a publicidade é uma realidade inegável que influencia o comportamento e informações que as crianças percecionam. Tem de haver um controlo e informação e desmitificação quanto ao que é ou não um produto alimentar nutricionalmente interessante, para tal pode-se recorrer ao material “descodificador de rótulos” que permite avaliar de uma forma simples os alimentos (https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2015/11/Descodificador-de-rotulos-A4.pdf).

Por Maria Matos, Nutricionista Estagiária (2420 NE)