O treino de força, seja ele com pesos livres, associado a máquinas de ginásio, resistências elásticas ou simplesmente com o peso corporal é comummente utilizado para aumentar a força muscular. Contudo, a crença popular dita que este tipo de treino seja visto como prejudicial para crianças e adolescentes, nomeadamente ao nível das placas de crescimento ósseo.  

A importância do treino de força em atletas adultos é inegável, no entanto, o seu papel nas crianças e adolescentes deixa muitos pais preocupados. Será que têm razões para alarme?

O processo natural de crescimento e desenvolvimento da criança (antes da puberdade) e do adolescente (depois da puberdade) acarreta por si só um aumento do tamanho e força muscular. Assim sendo, faz sentido sobrecarregá-los com este tipo de cargas? Ganharão ainda mais força se foram sujeitas a este tipo de treino?

A verdade é que … são vários os estudos que comprovam que o treino de força aumenta efetivamente a força muscular nesta população. Antes da puberdade, as concentrações hormonais que favorecem o crescimento muscular são baixas, pelo que o aumento de força será modesto. Contudo, após a puberdade, quer os rapazes, quer as raparigas são capazes de aumentar significativamente o tamanho e força muscular. A força melhora… mas o que acontecerá ao crescimento ósseo? Será que as placas de crescimento ósseo são danificadas ou ficam comprometidas com este tipo de treino?

A verdade é que … são vários os estudos que suportam a ideia que este tipo de treino é seguro nestas populações, sendo o risco de lesão igual ao dos adultos que praticam treino de força. O segredo está no planeamento e na supervisão do treino por parte de um profissional qualificado.

Assim, o planeamento deve:

– Incluir um período de aquecimento;

– Contemplar todos os grandes grupos musculares;

– Iniciar com intensidades e volumes relativamente leves;

– Progredir no sentido de atingir uma frequência de 2-3 dias/semana e 1-3 séries por exercício;

– Utilizar cargas/resistências que permitam pelo menos 15 repetições;

– Progredir privilegiando o aumento do número de repetições em detrimento do aumento da carga/resistência

– Usar cargas muito leves sempre que forem introduzidos gestos/exercícios novos até que a técnica correta seja assimilada.

Mensagem para casa: O treino de força com supervisão de profissional qualificado é benéfico para crianças e adolescentes, não sendo prejudicial para as placas de crescimento ósseo, não comprometendo assim o normal desenvolvimento. 

Referências Bibliográficas:

Chandler, T. Jeff and Brown, Lee E. (2013). Conditioning for Strength and Human Performance. Second Edition. Wolters Kluwer | Lippincott Williams & Wilkins.

Diogo Silva| Fisioterapeuta| Docente na Escola Superior de Saúde de Santa Maria| Docente na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto