Estava a viver um momento perfeito, tão pleno de afetos. E é ali, naquele quarto de maternidade, pelas 23h, depois de viver o dia mais intenso da minha vida, que as muralhas fortemente fortificadas do meu castelo começam a desabar. No berço o meu pequeno filho chorava, na cabeça corriam as ideias pré-concebidas que armazenara ao longo da vida. “Não o podes adormecer no colo”, “não o adormeças na mama”, “têm que se habituar a acalmar sozinho”….

Olhei o Flávio, e num impulso segurei o meu filho nos braços, soube ali, que nada do que achava ser verdade nos servia, soube alí naquele momento que a minha vida mudava para sempre, aquele era o nosso momento zero. Da biblioteca que carregava nada ficou, e prometi a mim mesma e ao meu filho que, juntos íamos construir o nosso caminho.

Assumir uma parentalidade consciente é educar de coração aberto, é aprender sobre os nossos filhos e sobre nós. É confiar em pequenos seres que não falam, mas nos dizem tanto, basta estar disponível para ouvir/ver.

Aprendi a confiar no meu instinto de mãe e aprendo todos os dia a confiar no meu filho, juntos vamos construindo o nosso caminho sem comparações ou competições. Vamos crescendo juntos, todos os dias, rumo à melhor versão de nós mesmos. Sei hoje, 21 meses depois de iniciar esta maravilhosa aventura, que “aquele momento na maternidade” foi a melhor coisa que nos aconteceu, foi libertador, e as certezas são reforçadas a cada conquista.

O Raphael é assumidamente um “Ser livre”que vai conquistando a sua autonomia e desenvolvendo a sua personalidade encantadora. Nós somos a sua orientação, a educação que almejamos é baseada no exemplo, onde o respeito e igualdade são a base de tudo.

Assumo-me como uma mãe perfeitamente imperfeita, vou acertando e falhando, vou observando e ajustando, mas o mais encantador desta viagem, é que não há um certo ou um errado, somos todos momento, eu, o Raphael, o Flávio, tu, nós. Somos o aqui e o agora, sem bagagens e com a hipótese de sermos tão mais do que o que fomos, basta para isso darmo-nos a oportunidade de olhar atentamente, conscientemente de o coração aberto e amarmos no verdadeiro sentido do incondicional.

Por Marlene Fernandes| Uma mãe que não é só mãe, mas é mãe o tempo todo! Ser mãe de um Ser Livre, tem trazido bons desafios e os maiores e mais doces sorrisos. Não foi a maternidade que lhe ensinou o prazer da escrita, mas foi quem lho devolveu. Escrever é a sua forma de imortalizar sentimentos e emoções. Viver a maternidade de coração aberto e olhar consciente, é a sua forma de imortalizar vida! Para acompanhar mais aventuras desta mãe: https://www.facebook.com/parentalidade.olharconsciente/