Muitos são os que pensam que ler para as crianças só é importante a partir de uma certa idade, pois quando são muito bebés os benefícios são quase inexistentes. Pois é… engana-se quem atribui uma idade mínima para começar o incentivo à leitura.

Tudo começa logo na gestação. São vários os estudos feitos das reações dos bebés à voz e aos sons ainda na barriga, até porque é através do som que eles estabelecem o primeiro contacto com o mundo exterior. Por isso, ler histórias ainda quando o bebé está na barriga da mãe é utilizar a voz para estabelecer os primeiros vínculos afetivos entre mãe/pai e filho/a. Denise Guilherme (2018) diz mesmo que a leitura de histórias “confere ritmo e ajuda na construção de um espaço seguro de comunicação entre o adulto e a criança”[1], até porque mais do que o entendimento que a criança possa ter do texto lido, é a carga afetiva que essa ação desperta, que se torna fundamental para o desenvolvimento psíquico não só da criança mas de toda a família.

Depois do nascimento a leitura vai auxiliar em várias outras funções psicológicas, como por exemplo, o mais notório dos benefícios, o desenvolvimento da linguagem. Os estudos apontam para uma ligação direta entre os bebés que começaram a falar mais cedo e as crianças com um vocabulário mais elaborado, como sendo aqueles gozavam de hábitos de leitura em família.

Para além disso, a leitura ajuda a desenvolver o raciocínio lógico, estimula a memória e a criatividade, assim como ajuda a criar disciplina e atenção.

Estes benefícios seriam já por si suficientes para justificar a importância da leitura para as crianças desde muito cedo, porém, não posso deixar de salientar o valor que acaba por significar para toda a família, sobretudo quando auxilia o fortalecimento de laços e a criação de memórias que nos acompanharão, a nós e a eles, para toda a vida.

Como filha, e agora também como mãe, não preciso de estudos para comprovar que ler faz bem ao cérebro e ao coração.

[1] http://ataba.com.br/a-taba-responde-leitura-para-bebes/

Por Sílvia Cardoso, bibliotecária da Escola Superior de Saúde de Santa Maria